Idade Média: sim ou não?

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“IDADE MÉDIA: SIM OU NÃO?”[1]
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1 SÍNTESE

A convenção a cerca do nome “Idade Média” foi proposta pela primeira vez pelos Renascentistas do século XVI, para conceituar os mil anos de obscurantismo e retrocesso intelecto-cultural europeu, entre os anos de, por volta, 476 a 1453. Contribui para esta convenção pejorativa, o movimento protestante do século XVI, a fim de se opor à Igreja Católica, principal instituição medieval. Contribui ainda para tal conceituação, as críticas feitas pelos Iluministas de século XVIII: Voltaire, Montesquieu, entre outros, que julgavam impróprias as crenças e supertições medievais e, deste modo, contribuíram para o processo de secularização da doutrina católica. Entretanto, a historiografia do romantismo[2], do século XIX, tratou de reconhecer os valores positivos oriundos da “Idade Média” entre eles o argumento de que a cultura predominante na atualidade tem seu berço na Europa medieval: a cultura greco-romana foi transmitida ou preservada a partir das modalidades de interpretação dos medievais, neste sentido a Idade Média marca a origem de nossa civilização ocidental[3] e não representa simplesmente a decadência do Império Romano. Deste modo, o problema proposto para os estudos históricos da formação da civilização ocidental atualmente é o julgamento dos valores medievais.
A Idade Média compreende, como já visto, o período de mil anos entre 476 e 1453. Em 476 os godos, povos bárbaros do norte da Europa, invadiram, saquearam e tomaram o poder da cidade de Roma[4]. Depois da tomada de Roma, houve tentativas de unificar os povos bárbaros em uma espécie de Confederação, o que não foi possível porque a conjuntura daquela época não permitia unificações: bárbaros e romanos não tinham a mesma religião. Em 496, Clóvis, reis dos francos, converteu-se com seu povo, ao catolicismo. Assim, o povo Franco foi o primeiro a se unir, culturalmente, com os remanescentes romanos. No século VII, Pepino o Breve, concebido rei dos Francos, de fato e de jus, pela Igreja Católica, firmou um acordo com o Papa Estevão II, no qual, Pepino reconhecia para Igreja um Estado Pontifício[5]. Com as doações de terras dos povos que se convertiam ao cristianismo (a exemplo da iniciativa de Pepino), o Papa, ao passar do tempo, tornou-se o senhor temporal de grande parte territorial da Europa e senhor de jus das mesmas terras. Foi a conquista do poder temporal junto com os Imperadores. Tem-se como exemplo a coroação de Carlos Magno, no Natal de 800, como Imperador do Sacro Império Romano da Nação Franca, feita pelo Papa Leão III.
O grande resultado desta obtenção - da Igreja Católia - do poder temporal dividido com os Imperadores foi o ideal de construção da Cidade de Deus, título de uma das grandes obras de Agostinho, último grande filósofo da antiguidade e primeiro grande sistematizador da teologia cristã que teve forte influência da filosofia neoplatônica. Este ideal consiste em aplicar o reino da justiça de Deus na Terra[6], por meio do combate às heresias e às atividades profanas. A transcendência era um fato evidente que marcava toda a vida pública através de feriados, festas e convenções sociais.

Há também de se considerar as grandes produções e invenções deste período: o moinho d’ água, a serra hidráulica, o relógio mecânico, a roda[7], os óculos, a imprensa, entre outras. Tal impulso pelo desenvolvimento levou às novas descobertas na navegação e ao desenvolvimento no progresso da conquista do mundo, sem este desenvolvimento naval e sem a coragem de evangelizar o mundo, talvez, a geografia atual não existiria[8] tal como é.

Outro aspecto importante sobre a época medieval é a organização da vida em sociedade: o feudalismo. Não havia um poder central, a Europa entrou em um processo de ruralização e, deste modo, a terra tornou-se a única fonte de subsistência para o homem, pois as relações econômicas quase não existiam. O cenário: os camponeses, incapazes de garantir sobrevivência a si e às suas famílias procuravam possibilidades de viverem sob a proteção dos vizinhos mais poderosos que os defendessem com suas armas em troca de uma parte das colheitas dos próprios camponeses. Força de trabalho e produto final em troca de proteção e alimento. Havia assim um juramento, com valor sagrado, entre o homem do campo e o senhor feudal. O homem do campo não era tratado como escravo, pois o escravo era tratado, no Império Romano, como coisa, o servo do senhor feudal era tratado como pessoa[9] e compactuava espontaneamente com o senhor feudal. O senhor feudal tinha obrigações de não vender, alienar ou abandonar a terra do servo.

A mulher nos tempos feudais era coroada como rei, na ausência deste por morte ou doença, e exercia o poder incontestado. A Igreja lutou contra a imposição dos casamentos arranjados, por meio do livre consentimento à união matrimonial[10]. Outros casos também destacam a importância da mulher: a adadessa Heloísa administrava um vasto território feudal; a adabessa Herrade é autora de uma da mais conhecidas enciclopédias de século XII, a “Hortus Deliciarium” (Jardim/Horto das Delícias) e ainda o heroísmo de Joana d’Arc que conseguiu uma audiência com o rei da França[11].

As universidades também representam um grande momento na Idade Média. Eram obras da Igreja e dependiam diretamente do Papa, não dos bispos locais. Com isso as universidades eram instituições, em certo grau, livres: professores e alunos administravam as suas tesourarias sem interferências externas[12]. Havia interação das produções realizadas nos diversos centros de estudos, pois o intercâmbio era grande entre os alunos. A organização dos lazeres era de base religiosa: festas, cerimônias de culto, havia danças, havia o xadrez.

A Inquisição era feita em nome de Deus. As intenções que motivaram a autoridade eclesiástica a instituir a Inquisição, dentro da mentalidade medieval, são legítimas: o valor da alma e dos bens espirituais era tão grande que qualquer um que perturbasse tais valores era considerado herege e levado à morte[13]; as categorias de justiça na Idade Média eram muito diferentes das atuais, o rigor lógico era muito mais valorizado que a ternura do sentimento de humanidade[14]; a intervenção do poder secular exerceu profunda influência no desenvolvimento da Inquisição, o poder espiritual e o temporal na Idade Média estavam tão unidos entre si que lhes parecia normal a correspondência entre ambos no que se refere ao bem comum[15]; há de se considerar a fraqueza humana dos inquisidores e de oficiais, há um grande número de protestos enviados por Papas às autoridades inquisitórias. Não seria então possível que os medievais, com boa fé na consciência, tenham utilizado medidas maldosas que o pensamento moderno, com razão, julga violentas[16]?

Por fim, o episódio das Cruzadas teve apenas por objetivo libertar a Terra Santa do domínio dos mulçumanos. Os cruzados tinham sua inspiração na fé, no amor aos valores sagrados e no espírito cavaleiresco de coragem e excelência. A fé e o amor dos cristãos eram tamanhas na Idade Média, que estes recorriam às armas para exprimir estes sentimentos concretamente[17]. Verdade é que as Cruzadas não obtiveram êxito em retomar a posse da Terra Santa, mas deixaram à posteridade o testemunho de fé. Aponta-se, contudo, as falhas morais dos cruzados: rapina, abuso de mulheres e outros males, porém consideram-se compreensíveis tais erros em expedições militares, as quais os soldados são sujeitos a procurarem suas compensações após os sofrimentos passados nas campanhas[18].


2 PROSPECTIVAS

A Idade Média, então, caracterizou-se pela tendência em construir a Cidade de Deus na Terra pela atitude de coadunar autoridade civil e religiosa na obtenção do bem comum. Embora, hoje, o contexto social saja outro, a Magna Carta dos Direitos Humanos, por exemplo, está fadada a ser vã se não lhe for conferida em sua aplicação uma justificativa religiosa. Quem compreende o curso da proposta do plano de Deus, há de se colocar a serviço da cristandade: atualizar o ideal medieval em construir a Cidade de Deus no mundo[19].


Notas
[1] O título se refere ao texto síntese de uma conferência feita pelo redator de PR (não consta o nome da publicação nem o nome do autor) em Natal (RN) aos 09/10/1999, com o título original “Idade Média: Síntese e Prospectivas”; o trabalho está dividido em, como sugere o título, duas partes: 1) Síntese: a) Problemática, b) Visão de Conjunto e c) Linhas Salientes e 2) Prospectivas.

[2] O texto não faz nenhuma referência precisa ao que seja a “historiografia do romantismo”, nem propõe uma breve exposição sobre este movimento; infelizmente tal falta de atenção à credibilidade das citações prejudicou o texto, dando-o um caráter de imprecisão conceitual e bibliográfica.

[3] Consideramos este argumento tal qual, na mesma medida, dogmático e pejorativo igual ao de “mil anos de obscurantismo e retrocesso” feito pelos Renascentistas para argumentar contra a Idade Média. Parece-nos um suicídio histórico-cultural tratar de sacrificar a civilização helenística e latina, desde os tempos Homéricos até a queda de Roma, para pontuar como marco da civilização ocidental a época medieval. Se o grande triunfo da Idade Média, segundo o próprio argumento em questão, foi à preservação e à transmissão da cultura greco-romana, então não é possível considerar a era medieval como referência de início da cultura ocidental, visto o valor que há na afirmação da transmissão dos valores históricos anteriores. Sensato, acreditamos, é tratar o período medieval como parte do processo da construção da civilização ocidental, sem marcos convencionais de início ou meio desta construção histórica, mesmo com a utilização do estigma gramatical de medieval; se o que hoje, caracteriza a cultura ocidental, lato sensu, é a religião cristã, isto se deve ao bom desenvolvimento da doutrina de Cristo, mais no ocidente que no oriente, devido ao encontro da metafísica (cerne da criação filosófica antiga: distinção da cultura religiosa-cosmológica oriental) com a fé cristã, sobretudo, graças às sistematizações, entre filosofia antiga e teologia cristã, feitas pelos Mestres da Igreja medieval. Neste sentido, Idade Antiga e Medieval se coadunam em importância na formação da cultura ocidental. Nota-se esta interação na produção filosófica-teológica de Agostinho e Tomás de Aquino: respectivamente, em suas sistematizações da fé cristã, fundamentados na metafísica de Platão e de Aristóteles.

[4] A invasão e a tomada de Roma é o resultado do processo de decadência desencadeado muito antes de 476. Há muito, os romanos vinham enfrentado dificuldades de administração do Império, posto a sua grande dimensão territorial, além do aparecimento e desenvolvimento de povos bárbaros, sobretudo, nórdicos: godos, burgúndios, visigodos, vândalos, turíngios e outros ainda, que, em busca de terras para habitar, saqueavam as cidades do Império e tratavam com hostilidade os governos locais tal qual o central. Há de salientar ainda, a transferência da capital do Império Romano, em 330, para Bizâncio, fato que foi um grande marco da fragmentação no poder central do Império Romano.

[5] Pepino o Breve era funcionário do palácio dos reis merovíngios, e governava sem ser rei. Havia o rei, porém ele apenas reinava e não se interessava pelas responsabilidades de governador, função que cabia a Pepino. Como não havia um Império totalmente consolidado na Europa, como antes era o Romano, os reis amiúde tentavam forjar alianças a fim de ampliarem suas influências sócio-econômicas. A única instituição sólida e que abarcava todo o território europeu era a Igreja Católica, por isso, os reis ou os Imperadores sentiam a necessidade de firmar alianças com os Papas. A Igreja por sua vez, que era detentora do poder espiritual, viu nesta oportunidade a tentativa de deter também o poder temporal. Foi o que fez. Aliou-se com os Imperadores, pelo oportunismo de conceder-lhes tais títulos, como fez primeiro com Pepino, em troca da concessão de territórios e poder sobre tais. Com essa evangelização da nobreza, a influência do Papa tornou-se tamanha que ele era quem nomeava os Imperadores e a Igreja Católica era a instituição de maior poder, espiritual e temporal, na Europa feudal. Dentro dos feudos, por exemplo, o mosteiro, em alguns casos, tinha maior relevância no poder temporal do que o castelo ou do que a corte, em conseqüência o abade era figura mais importante que o rei, posto que o abade fazia parte de uma instituição organizada e bem maior que o feudo; o Papa era a autoridade máxima, nesse sentido, o senhor sênior de toda a Europa média.

[6] Este, talvez, tenha sido o grande erro da Igreja Católica na era medieval, impulsionada pela sede em saciar a paixão pelo poder temporal: controlar a sociedade mostrando-se como organizadora da vida em sociedade e mantenedora da ordem do convívio humano; de certo modo, colocando-se na posição do Estado, no sentido moderno da palavra, pois com a tentativa de aplicar a hierarquia eclesial na organização da vida social os valores individuais, as peculiaridades de cada região da Europa, as culturas diversas, a valorização do sujeito como cidadão ativo e responsável pelo desenvolvimento da cidade entre outros aspectos da vida política ou da vida pública, a ética política foi substituída pelo moralismo da submissão à autoridade da Igreja. Se em alguma época da história do ocidente houve total falta de liberdade política, esta época foi a Idade Média, sobretudo no feudalismo: ordem sustentada pelos interesses políticos-econômicos do cristianismo. Se atualmente, mesmo com a construção do conceito de Soberania, de Estado Nacional e após os ideais da Revolução Francesa e da Liberdade Americana, a democracia que se vive é muito aquém do modelo de democracia grego, é devido ao retrocesso político resultante da tentativa cultural em aplicar a Cidade de Deus na Terra, de substituir a formação do cidadão responsável à formação do cristão submisso, em substituir a ética política pelo moralismo religioso.

[7] Parece-nos que a invenção da roda data de muito antes à Idade Média, os gregos homéricos já utilizavam bigas em combates.

[8] Colombo não obteve auxilio financeiro e apoio moral da Igreja em sua viagem. Porém, com seu êxito, logo a Igreja propôs estar ao seu lado e em evangelizar os povos “achados”. Segundo os estudos latinos americanos sobre a colonização européia de ênfase espanhola e portuguesa, o número de índios mortos em combates com os colonizadores é bem mais relevante à mancha do holocausto dos judeus feito pelos nazistas. A conquista da geografia do mundo atual custou a vida de milhões de índios e o desaparecimento de muitas culturas. A falta de identidade dos povos latinos americanos se deve, em grande parte, ao modo cruel pelo qual forram colonizados e evangelizados.

[9] O conceito de pessoa na era medieval era muito diferente do conceito atual; não cabe argumentar a favor do trato que o senhor feudal tinha com seus servos, a famosa relação de vassalagem, a qual o texto omite-se totalmente. O vassalo era dependente da proteção do senhor feudal e, por isso, conivente com a má situação em que se encontrava: em alguns casos produzia muito e a parte que lhe pertencia era quase insignificante em relação à produção total, vivia em condições precárias e não tinha o mínimo de liberdade sobre a própria vida.

[10] Esta iniciativa da Igreja, na época, foi inútil, afinal os casamentos arranjados, ou poderiam favorecer a própria Igreja, posto os interesses no bom relacionamento com os reis ou Imperadores ou não dependiam da força de anular um acordo antes feito por famílias para marcar um casamento, neste caso, a estrutura social não permitia a liberdade de escolha dos casais e não seria por meio de uma pergunta de cunho cerimonial que a Igreja resolveria o problema do processo de coerção.

[11] Joana d’Arc foi condenada pela Inquisição inglesa a fim de ser calada; o argumento de que ela foi brilhante ou obteve um grande heroísmo é, pelo que nos parece, certo, porém no contexto do texto em questão, o item a ser tratado omite que a figura da mulher na Idade Média foi mal entendida e foi vítima de preconceitos, por isso o texto omite, mais uma vez, o fim trágico desta personagem que foi mal entendida em seus ideais políticos e foi vítima de preconceitos: considerada bruxa.

[12] As criações e o desenvolvimento das universidades são marcos positivos da Idade Média. Oriundas da iniciativa da retomada intelecto-cultural proposta por Carlos Magno no Renascimento Carolino, são o resultado da evolução das escolas criadas por Carlos, sobretudo, das escolas chamadas monacais e episcopais, as primeiras anexas aos mosteiros e as segundas anexas às catedrais, por isso, dizer que eram obras da Igreja. Porém, cabe ressaltar o fato de que a censura em relação a algumas obras era muito grande. O conteúdo dos estudos não era livre, muitos livros eram proibidos e retirados das bibliotecas das grandes universidades para serem confinados em bibliotecas de mosteiros. Pode-se exemplificar este caso na análise da data de aceitação dos livros da filosofia natural de Aristóteles, 1255 somente; ou com o desaparecimento da segunda parte da Poética, também de Aristóteles, livro que tratava sobre o riso, que segundo estudos de Umberto Eco, foi confinado pelas bibliotecas dos mosteiros beneditinos. Havia ainda centros de traduções, totalmente distintos das universidades e da iniciativa religiosa, é o caso do famoso centro de tradução de Toledo, na Espanha, em que importantes obras eram traduzidas entre, principalmente, os idiomas grego, árabe e latim.

[13] É vã a atitude de uma instituição que se caracteriza por defender e anunciar a vida de Jesus Cristo, agir de modo igual em relação aos métodos romanos que levaram-no à morte; com motivos, por vezes, mesmos que os romanos tinham para realizar suas crucificações. Parece-nos que o anúncio da vida de Cristo foi levado tão a cabo que até o modo de sua morte cruel foi posto em prática em nome da ordem social.

[14] Se o rigor lógico era tão grande a ponto de se perder as referências dos sentimentos de humanidade, então, pressupõe-se que a pregação sobre o amor e benevolência de Deus ou de Cristo era um discurso repleto de beleza metafísica composto por artifícios silogísticos e retóricos, mas a prática cristã temporal era totalmente distinta do discurso emotivo; era centrada na lógica realista.

[15] De certo modo o argumento relata que a Igreja fazia o papel da instituição que promovia as leis e o imperador, rei ou a instituição secular fazia o papel de executar tais leis em favor de um bem comum, qual? A ordem social? Talvez. Seja como for, o argumento é de ordem sofistica, pois remete a responsabilidade das execuções inquisitórias às instituições seculares.

[16] Não. Com boa fé não. “Boa fé” é um termo, atualmente, de uso popular utilizado para justificar ações ou intenções aparentemente errôneas, mas que se justificam em determinado contexto. No contexto medieval, não é possível compreender a atitude inquisitória como advinda da boa fé, pois fé, neste caso, é a doutrina cristã e não a intencionalidade da ação em seu contexto. Nesse sentido, a fé cristã tem seu cerne na valorização da vida humana, assim, como explicar a boa fé em promover a morte forjada?

[17] As Cruzadas contribuíram em muito para a retomada das grandes rotas comerciais da Europa que estavam extintas, os Estados Cruzados tornaram-se grandes centros comerciais, pois ofereciam segurança nos negócios e eram os únicos centros de negociações, um dos objetivos conquistados pelas Cruzadas também foi reativar o contato comercial com as rotas do oriente. Os interesses dos Cruzados também foram à conquista pelo poder comercial e pela famosa riqueza que despontava no oriente.

[18] O texto original salienta que o bom historiador deve compreender as necessidades advindas dos sofrimentos dos soldados para justificar as práticas amorais dos cruzados. Argumentamos contra a péssima maneira de argumentar do presente texto que o bom leitor deve prevenir a alienação ao texto que lê e, neste sentido, pode procurar contrapor o conteúdo de sua leitura com outras que considera seguras. A Igreja perdeu o controle de boa parte dos Estados Cruzados, assim como os soldados cruzados perderam suas práticas religiosas e configuraram seus próprios códigos de conduta moral, baseados na hombridade e na irmandade de algumas ordens; fruto desta prática, por exemplo, foram os Templários, perseguidos pela Igreja devido ao seu poder temporal em algumas rotas comerciais e devido às divergências com as idéias papais ou à liberdade que tinham em relação à submissão ao Papa.

[19] Como já foi exposto na nota 6, a aliança entre o poder civil e o poder eclesiástico, parece-nos, o grande erro da Igreja Católica cometido na Idade Média, devido à uniformização que se propõe ao aplicar sua hierarquia na vida civil, nesta uniformização não são considerados os aspectos multiculturais e não é considerada a condição social da dialética política do cidadão militante; algo parecido com o desenvolvimento da cultura consumista no capitalismo: uma uniformização dos povos.

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