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Sigmund Freud e criação da psicanálise
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INDICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
NYE, R. D. Sigmund Freud e a psicanálise. In: Três psicologias: idéias de Freud, Skinner e Rogers. São Paulo: Pioneira, 2002. pp 07-48.
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NYE, R. D. Sigmund Freud e a psicanálise. In: Três psicologias: idéias de Freud, Skinner e Rogers. São Paulo: Pioneira, 2002. pp 07-48.
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1 INTRODUÇÃO
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O presente trabalho tem como objetivo resumir o segundo capítulo da obra supracitada. O conteúdo, como sugere seu título, é a apresentação da teoria freudiana para o fundamento e criação da psicanálise. O texto é composto por uma abordagem bifuncional da psicanálise: como teoria da personalidade e como terapia no tratamento de neuroses. O desenvolvimento lógico deste trabalho compreende três etapas: a exposição do modelo analítico-estrutural da personalidade desenvolvido por Freud; as formas como os elementos constituintes desta estrutura se relacionam e por fim a apresentação da psicanálise como forma de terapia. Procurei elaborar dois resumos que se coadunam. No primeiro expus de maneira didática e com fôlego maior a primeira etapa lógica do texto, que tenho a hipótese de ser o cerne dos estudos em Sigmund Freud. No segundo abordei às etapas dois e três. Tomei como partida para escrever este trabalho, a seguinte problemática: Quais as prováveis causas que levaram Freud a conceber uma proposta teórica e prática do método psicanalítico?
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O presente trabalho tem como objetivo resumir o segundo capítulo da obra supracitada. O conteúdo, como sugere seu título, é a apresentação da teoria freudiana para o fundamento e criação da psicanálise. O texto é composto por uma abordagem bifuncional da psicanálise: como teoria da personalidade e como terapia no tratamento de neuroses. O desenvolvimento lógico deste trabalho compreende três etapas: a exposição do modelo analítico-estrutural da personalidade desenvolvido por Freud; as formas como os elementos constituintes desta estrutura se relacionam e por fim a apresentação da psicanálise como forma de terapia. Procurei elaborar dois resumos que se coadunam. No primeiro expus de maneira didática e com fôlego maior a primeira etapa lógica do texto, que tenho a hipótese de ser o cerne dos estudos em Sigmund Freud. No segundo abordei às etapas dois e três. Tomei como partida para escrever este trabalho, a seguinte problemática: Quais as prováveis causas que levaram Freud a conceber uma proposta teórica e prática do método psicanalítico?
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Palavras-chave: Freud, psicanálise, inconsciente, Id, ego, superego.
Sigmund Fred nasceu em Moravia, leste da República Checa, no ano de 1856, filho de comerciantes que tiveram mais sete irmãos. A família mudou-se para Viena quando Freud era ainda criança. Em seus estudos, ingressou na faculdade de medicina na Universidade de Viena. Graduou-se em 1881, e se dedicou a estudar doenças orgânicas do sistema nervoso, certamente ele intentava dedicar suas fadigas à vida acadêmica. Casou-se em 1886 e teve seis filhos. Anna, a caçula, seguiu os mesmos passos das pesquisas do pai e se tornou também uma das referências na área da psicanálise. No mesmo ano de seu casamento, Freud, começou a atender pacientes (com doenças nervosas) em uma clínica particular. Com as experiências adquiridas de seu trabalho na clínica, o interesse sobre os aspectos físicos do sistema nervoso foi substituído pelo interesse na investigação das causas psicológicas dos distúrbios nervosos. Tanto assim que Freud intensificou, em tempo integral, seus estudos sobre as origens psicológicas das neuroses. Morreu em Londres no ano de 1939, aos 83 anos de idade. Algumas de suas principais obras são: A Interpretação dos sonhos (1900); Sobre a psicopatologia da vida cotidiana (1910); Além do princípio do prazer (1920); O Ego e o Id (1923) e A Civilização e os seus descontentamentos (1930).
Freud acreditava que todo comportamento é causado. Segundo ele todos os comportamentos são supostamente explicáveis. Uma noção determinista, então, sobre a noção da causalidade no comportamento humano. O papel da psicanálise é buscar as causas ocultas (não físicas) dos comportamentos; é ir às fontes dos pensamentos. Um dos primeiros métodos utilizados por Freud, àquele intento, foi à técnica da hipnose, depois de estudar na França com o famoso médico da época Jean Charcot que estava usando-a em seu trabalho sobre histeria. Charcot descobriu que era possível produzir sintomas da histeria em pacientes sob efeito hipnótico e estes sintomas eram idênticos aqueles no estado não-hipnótico. Essa pesquisa sobre a hipnose possibilitou a Freud formular a hipótese de que as causas da histeria eram psicológicas e não fisiológicas. Quando Freud retornou à Viena, começou a trabalhar com Josef Breuer que utilizava o método por ele caracterizado como catártico, por meio do qual fazia seus pacientes relembrarem experiências traumáticas quando davam livre expressão às emoções dos traumas, sob efeito da hipnose. Essa parceria entre Freud e Breuer resultou em um livro chamado Estudos sobre a histeria de 1895. Entretanto, Freud estava convencido de que os distúrbios emocionais tinham como causa determinante um problema sexual. Breuer, aparentemente, não contribuiu com a hipótese de Freud e os dois romperam a parceria. Mais tarde, investigando sozinho, Freud descobriu que havia impossibilidade de hipnotizar alguns pacientes e decidiu abandonar a técnica da hipnose. Uma técnica para substituir a hipnose foi a associação livre, na qual o paciente relaxava e relatava as idéias ou pensamentos que lhe vinham à consciência. Além dessa técnica, Freud também desenvolveu a análise dos sonhos. Estas duas técnicas são de suma importância para o método psicanalítico.
A psicanálise foi tomando forma com as investigações de Freud, ela tornou-se tanto uma teoria da personalidade como um modo de terapia. Freud intentou explicar como se forma a personalidade e também formulou técnicas para o tratamento de neuroses.
A grande contribuição de Freud foram seus estudos sistemáticos a respeito do inconsciente na formação da personalidade do humano. Estudo bem controverso na época, pois os psicólogos estruturalistas diziam que o inconsciente é uma instância da personalidade humana que não está sujeita à análise científica segura. Contudo, Freud defendia que as causas mais relevantes que envolviam os comportamentos humanos estavam associadas ao inconsciente. Mais tarde, seus resultados dos estudos sobre a personalidade, propunham três níveis da consciência: inconsciente, pré-consciente e consciente. No ano de 1923, o psicanalista publicou O Ego e o Id, e apresentou nesta obra uma estrutura analítica da personalidade: Id, ego e superego. O Id é a mais primitiva instância da personalidade; o ego é a esfera que começa a se desenvolver na interação com o meio; o superego apresenta a característica moral da sociabilidade. No Id não há julgo de valor, há apenas certo utilitarismo que opera de acordo com o princípio do prazer e também é onde residem os instintos humanos de vida e de morte. Estes têm energia psíquica que é motriz das ações dos homens. O nome da energia psíquica que se associa ao instinto de vida é a libido, ao instinto de morte Freud chamou-o apenas de energia destrutiva. O Id é a fonte ou e o alicerce de toda a personalidade. Nesse sentido, Freud caracterizou a personalidade como um sistema de energia entre o Id, o ego e o superego. A herança humana deixou, como os instintos de vida e de morte, também os impulsos. Dois são mais proeminentes para Freud: o impulso sexual e o impulso agressivo, derivados reciprocamente dos instintos citados na frase anterior e, do mesmo modo que aqueles, são intrínsecos ao Id. As tensões advindas da não realização de um prazer é o que se pode chamar de processo primário. Para reduzir estas tensões é necessário para o humano estabelecer contato entre seus impulsos e o mundo real. O contato descrito aqui é o que forma o ego. Na relação entre os aspectos internos à mente e os externo a ela, busca-se objetos, pessoas e atividades que irão satisfazer os anseios dos instintos. O Id é subjetivo e o ego, inversamente, objetivo. O guia do ego é o princípio de realidade e podemos afirmar que sua atividade realista em favor de satisfazer o Id é o processo secundário. Uma boa saúde mental para Freud é caracterizada pela força do ego, pois ele opera como regente da personalidade. Um bom ambiente sem opressões e uma vida familiar sem grandes traumas, possibilita o acordo entre os instintos e o acordo entre eles e o mundo. E, até certo ponto, devem-se aceitar as restrições que a sociabilidade impõe à satisfação dos instintos. O superego representa os valores normativos dos pais, incorporados pela personalidade. Ele tem a função normativa que Freud nomeia de consciência; como um juiz interno. Ele pode ameaçar o ego ou puni-lo, com culpa, por exemplo. Entretanto, o superego além de punir pode também recompensar. Se o ego age em harmonia com o ele, podem resultar dessa relação um sentimento de orgulho e uma auto-estima. Como Freud sugeriu que o ego forte é o que possibilita o bom funcionamento da personalidade; então, supomos que o superego não pode tomar conta da personalidade. O superego, em última análise, não deve ser compreendido como um determinante moral, mas como um guia que pode ser modificado pelas possibilidades do meio. Portanto, a estrutura analítica da personalidade proposta por Freud é esta: Id, ego e superego; que representam respectivamente a impulsividade, a racionalidade e a moralidade.
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Palavras-chave: Desenvolvimento psicossexual, complexo de Édipo, repressão, terapia.
II.I Da terapia psicanalítica
Um dos propósitos da terapia psicanalítica é proporcionar ao paciente a possibilidade de imersão no inconsciente, no Id. As necessidades instintivas do Id causam os contatos com a realidade (o ego se forma quando parte da energia do Id é usada para a busca de prazer na realidade objetiva). Mesmo o ego depois de desenvolvido e de assumir certa autonomia, ainda tem relações profundas com o Id, portanto relações inconscientes. Freud aponta para um principal aspecto inconsciente do ego: sua força. Para reduzir a ansiedade e proteger a auto-estima, o ego pode reprimir impulsos por meio de uma operação inconsciente. O que é reprimido é inconsciente. A terapia psicanalítica intenta, por meio de um processo lento e doloroso ocasionar alterações nos sentimentos, pensamentos e comportamentos da pessoa, de tal modo que tanto traumas quanto repressões possam ser amenizadas. Seja como for, Freud queria mudar a personalidade de seus pacientes. Muito embora ele acreditasse que a estrutura base da personalidade é formada entre os cinco ou seis anos de vida.
II.II Desenvolvimento psicossexual
O desenvolvimento psicossexual procede por meio de algumas fases: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Mas na teoria psicanalítica a ênfase está nas três primeiras fases.
Na fase oral a atividade é centrada na boca; na fase anal no ânus e na fase fálica nos órgãos genitais. Passar bem por essas fases significa receber uma quantia mediana de gratificação. O evento mais importante no período de formação das bases da personalidade ocorre na fase fálica: com o complexo de Édipo, segundo o qual os meninos desejam possuir sexualmente a própria mãe e desconsideram o pai; as meninas desejam possuir seus pais, deslocando a mãe. Ressentimentos e inveja são gerados pelo fato de ou a menina ou o menino sentirem-se rivais da mãe e do pai respectivamente. Com a intensificação da imaginação do menino, começa nele a ser construído certo conflito psíquico. A solução normal para tal situação é a identificação do menino com o pai; ocorre quando o menino incorpora os valores e as normas do pai.
Nesse sentido, o superego é um “herdeiro do complexo de Édipo”. Para as meninas é a percepção da falta de um pênis que inicia o complexo de Édipo, com transferência de culpa para a mãe pela inadequabilidade física. Diante disso, a menina se volta para o pai a fim de compartilhar de seu amor e de seu pênis. Porém Freud acreditava que as meninas não resolvam o complexo tão facilmente como os meninos; o complexo seria um fato da vida simplesmente.
Disso tudo, resolvido ou aceitado o complexo de Édipo, a criança ingressa na fase de latência. Aqui é um primeiro passo à sociabilização dos instintos sexuais. Esse processo continua e surge, por conseguinte, a fase genital. Nela os homens e mulheres encontram-se prontos para ocupar seus lugares na sociedade como pessoas maduras (personalidade formada).
Contudo, pessoas com ansiedade podem ter passado mal pelas fases do desenvolvimento psicossexual. Freud defendeu três tipos de ansiedade: realista, neurótica e moral. Ansiedade realista resulta da existência de uma ameaça na realidade objetiva; ansiedade neurótica resulta dos impulsos do Id que ameaçam romper a repressão sofrida do ego e assim fazer algo pelo qual será punido; ansiedade moral resulta das influências do superego no pensamento quando o sujeito sente que está violando valores incorporados como normas. Os mecanismos de defesa são instrumentos do ego para proteger a pessoa da ansiedade, todavia o ego fraco usa excessivamente vários tipos de defesa: estes operam como repressão. Freud refere-se ao princípio da repressão como a essência da psicanálise e como princípio pelo quais outras operações da personalidade se expressam, são elas: a formação de reação; o desfazer; a projeção; a racionalização; a negação; a identificação; o deslocamento; a fixação e a regressão. A maioria desses mecanismos de defesa têm influências negativas sobre a personalidade humana.
Por fim, a ansiedade e os sintomas neuróticos fazem com que as pessoas procurem ajuda de psicoterapeutas/psicanalistas. O tratamento psicanalítico é longo e penoso. A educação perante a qual o paciente é submetido é de caráter emocional, com vista para a autoconsciência e para um melhor controle se seus impulsos, por meio da capacidade de aceitar o que não mais pode ser mudado. Com relação ao método adotado pela psicanálise já fizemos uma breve citação neste texto. Retomemos àquelas citações: a associação livre e a análise dos sonhos são os meios para se chegar ao inconsciente do paciente. Se for o caso de resistência do paciente perante as descobertas desagradáveis feitas pelo psicanalista, este último fornece interpretações dos comportamentos irracionais. O paciente se valerá de transferência: ligará sentimentos emocionais passados ao analista. Desse modo, o paciente necessita operar componentes emocionais do inconsciente manifestados em resistências e transferências.
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